26 de jan. de 2026
Há palavras
que não morreram;
ficaram apenas presas
atrás dos dentes,
como um grito educado,
como uma maré sem lua.
Não houve ponto final.
Houve uma frase suspensa
no ar de uma conversa
que nunca aconteceu.
Ficou um silêncio a ocupar
o lugar onde devia ter existido
um adeus inteiro.
Às vezes sinto que a nossa amizade
pesava diferente em cada mão.
Na minha, era raiz, era abrigo,
era casa improvisada em dias difíceis.
Na tua, talvez fosse apenas passagem,
uma estação breve
onde não se guarda bagagem.
Isso não dói como uma ferida aberta.
Dói como um aperto lento,
como falta de ar quando a memória
decide lembrar-se sozinha.
Sufoco não pelo que foi,
mas por tudo o que não consegui dizer:
os agradecimentos, os limites,
as mágoas pequenas que cresceram em silêncio,
o carinho que não encontrou forma certa.
E mesmo assim,
num lugar que não é lógico,
nem justo, nem simétrico,
quero que sejas feliz.
Mesmo que a tua felicidade
não tenha mais o meu nome dentro.
Mesmo que os nossos caminhos
já não saibam pronunciar-se um ao outro.
Talvez amar uma amizade
seja também aprender a libertá-la
sem explicação suficiente,
sem fechamento perfeito,
sem última frase.
Fico aqui,
a desapertar lentamente o peito,
a ensinar as palavras a respirarem sozinhas,
aceitando que nem todas as histórias
nascem para ter um fim claro,
algumas apenas se dissolvem
naquilo que fomos.
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