26 de jan. de 2026
Há palavras
que não morreram;
ficaram apenas presas
atrás dos dentes,
como um grito educado,
como uma maré sem lua.
Não houve ponto final.
Houve uma frase suspensa
no ar de uma conversa
que nunca aconteceu.
Ficou um silêncio a ocupar
o lugar onde devia ter existido
um adeus inteiro.
Às vezes sinto que a nossa amizade
pesava diferente em cada mão.
Na minha, era raiz, era abrigo,
era casa improvisada em dias difíceis.
Na tua, talvez fosse apenas passagem,
uma estação breve
onde não se guarda bagagem.
Isso não dói como uma ferida aberta.
Dói como um aperto lento,
como falta de ar quando a memória
decide lembrar-se sozinha.
Sufoco não pelo que foi,
mas por tudo o que não consegui dizer:
os agradecimentos, os limites,
as mágoas pequenas que cresceram em silêncio,
o carinho que não encontrou forma certa.
E mesmo assim,
num lugar que não é lógico,
nem justo, nem simétrico,
quero que sejas feliz.
Mesmo que a tua felicidade
não tenha mais o meu nome dentro.
Mesmo que os nossos caminhos
já não saibam pronunciar-se um ao outro.
Talvez amar uma amizade
seja também aprender a libertá-la
sem explicação suficiente,
sem encerramento perfeito,
sem última frase.
Fico aqui,
a desapertar lentamente o peito,
a ensinar as palavras a respirarem sozinhas,
aceitando que nem todas as histórias
nascem para ter um fim claro,
algumas apenas se dissolvem
naquilo que fomos.
17 de jun. de 2025
23 de mai. de 2025
Tideglass
There was a time
when I mistook the pull of the tide
for an invitation.
You stood still,
like a lighthouse with no light
and I,
a ship trying to read
the silence in your stones.
I poured myself
into the shape of your absence,
hoping you would notice
the way I shimmered
even as I disappeared.
But some hands
were never meant to hold.
Some roots
refuse the rain.
So I step back now,
not with rage,
but like dusk—
soft,
certain,
and no longer waiting
for the sun to notice
it has already set.
3 de dez. de 2023
23 de nov. de 2023
9 de out. de 2023
27 de jun. de 2022
31 de jul. de 2019
3 de jul. de 2019
30 de jun. de 2019
Era uma vez
Hoje passei por ti, na ruela calada, frente á minha janela.
Espreitei-te de soslaio. Mas na esperança que me visses escondida e me sorrisses, então. Não sabendo se ainda queres um sorriso meu em retorno, continuei emudecida a olhar-te, na espera de uma mão aberta e um olhar reconfortante, que nunca mais encontrei em ti.
Mas logo senti as horas pesarem-me nos ombros. Era tarde. É sempre tarde quando te encontro. Ou quando nos desencontramos…
Olhei-te. Esperei-te. Nada de ti tive em troca. Senão esse teu silêncio dominador que me faz contorcer por dentro e questionar-me se tudo foi um erro que tenho, sem remédio, que olvidar.
Hoje passei por ti. Não me viste. Tristemente, calei-me sem saber se me queres calada e, assim, longínqua…
28 de jun. de 2019
15 de jan. de 2019
23 de dez. de 2018
3 de mar. de 2018
11 de jul. de 2016
Recordar é morrer.
Vou cambaleando entre a vontade insolente de te cercar com toda a realidade que encubro atrás dos sorrisos e gargalhadas infundadas e o receio da obtusidade alheia. Culpo-me por nunca me ter enchido de coragem, uma e tantas outras vezes, e de te dizer do que sou feita. Mostrando ao invés atitudes voláteis de uma menina que fugiu com o medo de ser mulher.
Queria partir. Aliás, partiria hoje mesmo conduzindo o único desígnio de me despir de mim mesma; do rosto incógnito que se passeia nas vitrinas; dos passos que adoptam rumos rotineiros. Mas, por vezes, interrogo-me se reconhecerias este corpo despido. Seria um reflexo do que afirmas conhecer? Serias capaz de o abraçar por inteiro? Acredito que não. Sempre calei tudo o que vinha do meu âmago, receando a repulsa e o desdém de olhos transparentes como os teus.
13 de jun. de 2014
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