30 de jun. de 2019
Era uma vez
Hoje passei por ti, na ruela calada, frente á minha janela.
Espreitei-te de soslaio. Mas na esperança que me visses escondida e me sorrisses, então. Não sabendo se ainda queres um sorriso meu em retorno, continuei emudecida a olhar-te, na espera de uma mão aberta e um olhar reconfortante, que nunca mais encontrei em ti.
Mas logo senti as horas pesarem-me nos ombros. Era tarde. É sempre tarde quando te encontro. Ou quando nos desencontramos…
Olhei-te. Esperei-te. Nada de ti tive em troca. Senão esse teu silêncio dominador que me faz contorcer por dentro e questionar-me se tudo foi um erro que tenho, sem remédio, que olvidar.
Hoje passei por ti. Não me viste. Tristemente, calei-me sem saber se me queres calada e, assim, longínqua…
28 de jun. de 2019
15 de jan. de 2019
23 de dez. de 2018
3 de mar. de 2018
11 de jul. de 2016
Recordar é morrer.
Vou cambaleando entre a vontade insolente de te cercar com toda a realidade que encubro atrás dos sorrisos e gargalhadas infundadas e o receio da obtusidade alheia. Culpo-me por nunca me ter enchido de coragem, uma e tantas outras vezes, e de te dizer do que sou feita. Mostrando ao invés atitudes voláteis de uma menina que fugiu com o medo de ser mulher.
Queria partir. Aliás, partiria hoje mesmo conduzindo o único desígnio de me despir de mim mesma; do rosto incógnito que se passeia nas vitrinas; dos passos que adoptam rumos rotineiros. Mas, por vezes, interrogo-me se reconhecerias este corpo despido. Seria um reflexo do que afirmas conhecer? Serias capaz de o abraçar por inteiro? Acredito que não. Sempre calei tudo o que vinha do meu âmago, receando a repulsa e o desdém de olhos transparentes como os teus.
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